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Hobby e saúde mental

Por Dr. Ewerton Medeiros

O Hobby deveria ser um passatempo prazeroso; composto por atividades sem muitas regras ou objetivos pré-determinados, mas que gerassem satisfação ao individuo em executá-las (até repetidamente). Estes hábitos peculiares poderiam ser elaborados de forma mais prática, mais intelectual ou equilibrando o uso do corpo e mente com similar proporção, como: música, culinária, esportes, desenho, modelagem, leitura, filosofia, resolução de enigmas, etc. Porém deveria ser sempre uma fonte de prazer e tranquilidade para o individuo.

Infelizmente nem todos os hobbies são saudáveis e -muitas vezes- não por culpa da atividade em si, mas sim da pessoa que o executa. Alguns até se iniciam de forma salutar, mas podem gerar ou esconder problemas de saúde. Porém, encontrar doenças advindas ou correlacionadas ao hobby não é regra, antes exceção.

Alguns passatempos acabam sendo reprováveis pelos médicos quando começam a gerar (ou se associar) a doenças psiquiátricas, principalmente. Colecionismo, jogos ou mesmo discretos atos voluntários repetitivos (entre inúmeros outros exemplos) podem ser sinais de obsessão ou compulsão. Porém, deve-se reafirmar que qualquer atividade lúdica cultivada de forma controlada, tende a tornar-se muito benéfica tanto do ponto de vista psicológico quanto físico; pois geralmente estimulam a desenvoltura em habilidades, atitudes e virtudes bem-vindas para qualquer indivíduo, como: organização, diligencia, serenidade, memória, etc. Entretanto, sem disciplina e pleno domínio da razão ou emoção atribuída ao Hobby,este pode gerar (ou ser gerado por) ansiedade, estresse ou outras distúrbios psicológico-psiquiátricos desagradáveis.

Como a maioria dos hobbies são acompanhados de atividades físicas (predominantemente); torna-se importante também lembrar que se não houver zelo com princípios básicos de fisiologia e educação física; pode-se induzir o surgimento sutil de lesões articulares, dor conseqüente e quiçá necessidade de intervenção médica futura (clinica ou cirúrgica).

Seu hobby está sob seu controle; isto é, este não lhe gera angustia ou ansiedade, nem favorece a (ou é impulsionado por) sofrimento físico ou mental ?  Espera-se que sim; pois há ainda inúmeros exemplos de “doentes hobbistas” não diagnosticado.  Você deve conhecer alguém assim: perfeccionistas incoerentes? Podem estar desenvolvendo o tão falado TOC (transtorno obsessivo-compulsivo); e quem extrapola na busca de suposta alimentação saudável? Talvez caminhe para a ortorexia; já aqueles que gastam mais tempo em academias/esportes do que na sua residência? podem estar com vigorexia. A critica sobre uma possível predisposição a estes tipos de distúrbios mentais pode não estar presente no praticante, mas geralmente é perceptível por algum amigo ou familiar; por isso –mesmo- deve-se ouvir entes queridos de vez em quando.

Com exceção do TOC, grande parte das ditas “doenças do excesso” são influenciadas pelo “ambiente”. Porém, antes de patologizar seu amigos e colegas, lembre-se que ter apenas alguns “traços obsessivos” não é doença, tanto que pode favorecer a manifestação de qualidades como ordem e atenção. Mas deve-se atentar que pensamentos ou comportamentos repetitivos (presentes em vários Hobbies) podem também fazer parte das “doenças do excesso”, sim. Este grupo de manifestações desequilibradas geralmente pertencem ao eixo dos transtornos obsessivo-compulsivo ou impulsivos; que em comum apresentam repetição em excesso de algum ato, frequentemente na busca de diminuição de ansiedade ou angústia.

Mas não tenham medos dos seus hobbies, pois -felizmente- poucos indivíduos são vulneráveis a ponto de ter doenças graves associadas. Estes passatempos são importantes atividades de entretenimento, de forma que –como tal- tendem a liberar endorfinas e relaxar muito o individuo (física e psicologicamente). Alguns consideram que um bom hobby tem um efeito tão benéfico quanto uma soneca após o almoço, ou quanto uma rápida sessão de massagem após um longo dia de trabalho: desestressa, tranqüiliza e melhora o animo ou a atenção para outras atividades, após sua efetivação. Você consegue delimitar quando começar e quando terminar um hobby?  Se sim, vá em frente com ele. Mas se começar a ficar angustiado quando se sente “obrigado” a pará-lo antes do que desejava, ou quando não consegue adiar ou cancelar esta pratica oportunamente por causa de outros motivos ou prioridades racionais; fique de alerta ou procure um psiquiatra.

E você que está procurando um hobby e não sabe por onde iniciar: além de buscá-lo em elementos tradicionais da vida cotidiana que sinta afinidade, pode-se testar o método de “tentativa e erro” com elementos atípicos também. Afinal, muitas pessoas descobrem ter simpatia por determinada atividade inesperadamente, quase por acaso. Alguns se iniciam em um passatempo de maneira despreocupada até descobrirem uma tração ou gozo pela prática, às vezes por influencia de pessoas pouco próximas ou situações inusitadas. Mas, o fato é que se não tem ainda, procure algum (ou alguns) hobby e seja um pouco mais feliz com ele.

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